Chinese Democracy

Quando uma fonte de um jornal de Hong-Kong afirmou recentemente ter recebido um memorandum do governo popular chinês constituído por 21 alíneas com "orientações" sobre como todos os meios noticiosos chineses deveriam realizar a cobertura jornalística aos Jogos Olímpicos de 2008 um desmentido foi imediatamente divulgado pelo Presidente do Comité Olímpico do país organizador e a polémica foi terminada (silenciada?) de forma célere antes mesmo de se ter iniciado. Mas não por muito tempo pois um jornal australiano, o The Sidney Morning Herald, teve acesso ao referido documento e, no exercício do príncipio da liberdade de imprensa, publicou-o, contrariando categóricamente as afirmações desse alto responsável chinês. Mais abaixo apresento os pontos altos desse memorandum (em inglês) que são um sinal evidente de uma propaganda totalitarista retrógrada e desprezível bem real, caracterizadora do antigo e do actual status quo deste país, ainda que hábilmente dissimulada por detrás de ideais olímpicos que lhes são estranhos na sua razão e substância e que nada simbolizam para essa orgulhosa (!) nação vermelha e amarela. Não será por acaso que a China é um dos países com maior número de casos de doping detectados no total das Olímpiadas...pois na realidade os fins, a exaltação do poderio e união da eremita nação chinesa, justificam os meios.

"1. The telecast of sports events will be live [but] in case of emergencies, no print is allowed to report on it.

4. Don't make fuss about foreign leaders at the opening ceremony, especially in relation to seat arrangements or their private lives.

5. We have to put special emphasis on ethnic equality. Any perceived racist terms as "black athlete" or "white athlete" is not allowed. During the official telecast, we can refer to Taiwan as "Chinese Taipei". In ordinary times, refer to Taiwanese athletes as "those from the precious island Taiwan....." In case of any pro Taiwan-independence related incident inside the venue, you shall follow restrictions listed in item 1.

8. All food saftey issues, such as cancer-causing mineral water, is off-limits.

9. In regard to the three protest parks, no interviews and coverage is allowed.

10. No fuss about the rehearsals on August 2,5. No negative comments about the opening ceremony.

13.On international matters, follow the official line. For instance, follow the official propaganda line on the North Korean nuclear issue; be objective when it comes to the Middle East issue and play it down as much as possible; no fuss about the Darfur question; No fuss about UN reform; be careful with Cuba. If any emergency occurs, please report to the foreign ministry.

17. In case of an emergency involving foreign tourists, please follow the official line. If there's no official line, stay away from it."

Comparemo-los agora com alguns outros princípios constantes de um documento assustadoramente semelhante datado de 1936, elaborado aquando dos Jogos Olímpicos de Munique, e assinado pelo então ministro da propaganda nazi Joseph Goebbels e que foi igualmente enviado para os meios de comunicação locais com várias "orientações" acerca da cobertura jornalística do evento e onde encontramos um modus operandi em tudo semelhante ao da China:

"German newspapers will print -- at their own risk -- reports from the Olympics released prior to the official press report.

Press coverage should not mention that there are two non-Aryans among the women: Helene Mayer (fencing) and Gretel Bergmann (high jump and all-around track and field competition).

The racial point of view should not be used in any way in reporting sports results; above all Negroes should not be insensitively reported. . . . Negroes are American citizens and must be treated with respect as Americans.

No comments should be made regarding Helene Mayer's non-Aryan ancestry or her expectations for a gold medal at the Olympics.

The northern section of the Olympic village, originally utilized by the Wehrmacht [German army], should not be referred to as 'Kasernel' (the barracks), but will hereafter be called `North Section Olympic Village."

Links úteis:

[The Sidney Morning Herald]

[The Sun - New York]

2 comentários:

ratochino disse...

é mesmo isso... incrível.

de cor disse...

pois..no mínimo nada de novo. Vi um documentário no docLisboa com o titulo "umbrella", numa fabrica de guarda-chuvas chinesa. É um retrato da china, através de um chinês... existem muitas chinas, mas a dita "abertura" chinesa, trouxe-nos de facto uns jogos olimpicos, de propaganda que ainda não convenceu...
ou convenceu? a nivel economico são indispensáveis neste momento...